Como quitar dívidas com os métodos bola de neve e avalanche
Planejador de pagamento de dívidas — Modelo Excel — Ver a planilha →
Cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal, um parcelamento na loja: quando as dívidas se acumulam, todo mês parece igual. Você paga um pouco de cada uma, os juros comem boa parte do pagamento e o fim nunca chega.
Existe um jeito mais organizado: juntar todas as dívidas numa lista, definir quanto você consegue destinar a elas por mês e seguir uma ordem de pagamento. Os dois métodos mais conhecidos são a avalanche e a bola de neve. Veja como funcionam e quanto fazem diferença num exemplo real.
Passo 1: faça a lista completa
Para cada dívida, anote:
- nome (qual cartão, qual banco);
- saldo devedor atual;
- taxa de juros ao mês;
- pagamento mínimo ou parcela.
Os dados estão no aplicativo do banco, na fatura ou no contrato. Exemplo:
| Dívida | Saldo | Juros ao mês | Mínimo |
|---|---|---|---|
| Cartão de crédito | R$ 3.000 | 10% | R$ 350 |
| Cheque especial | R$ 1.200 | 8% | R$ 150 |
| Empréstimo pessoal | R$ 9.000 | 3,5% | R$ 450 |
| Total | R$ 13.200 | R$ 950 |
Passo 2: defina o orçamento para dívidas
É o valor total que você consegue pagar por mês, somando todas as dívidas. Ele precisa ser maior que a soma dos mínimos; senão, o plano não fecha e a primeira tarefa é cortar gastos ou aumentar a renda. No exemplo, o orçamento é de R$ 1.500, ou seja, R$ 550 acima dos mínimos.
Passo 3: escolha o método
As duas estratégias funcionam igual em um ponto: você paga o mínimo de todas, e todo o dinheiro extra vai para uma dívida prioritária. Quando ela acaba, o valor que ia para ela passa para a próxima. É isso que acelera o plano.
- Avalanche: prioridade para a dívida com maior taxa de juros. Matematicamente é a que gera o menor custo total.
- Bola de neve: prioridade para a dívida com menor saldo. Ela some mais rápido, e essa vitória ajuda a manter a disciplina.
O exemplo calculado
Com R$ 1.500 por mês e juros calculados uma vez por mês sobre o saldo:
| Estratégia | Prazo para quitar tudo | Juros pagos |
|---|---|---|
| Só os mínimos | 35 meses | cerca de R$ 11.700 |
| Bola de neve | 12 meses | cerca de R$ 4.070 |
| Avalanche | 12 meses | cerca de R$ 3.950 |
Na bola de neve, o cheque especial some no mês 2 e o cartão no mês 6. Na avalanche, o cartão some no mês 5 e o cheque especial no mês 6. As duas terminam no mês 12, e a diferença entre elas é de pouco mais de R$ 100.
A grande diferença não está entre os métodos, e sim entre ter um método e não ter: pagar só os mínimos custa quase três vezes mais em juros e leva quase três anos.
Como montar o cronograma no Excel
Uma linha por mês e, para cada dívida, três colunas: saldo inicial, juros e pagamento.
- Juros do mês:
=B5*$C$2(saldo × taxa mensal) - Pagamento mínimo, sem pagar além do saldo:
=MÍNIMO($D$2;B5+C5) - Saldo final:
=B5+C5-D5
O dinheiro extra é a diferença entre o orçamento e os mínimos pagos no mês, mais os mínimos das dívidas já quitadas. Ele vai para a dívida prioritária ainda aberta. Para encontrar a prioritária na avalanche, por exemplo, procure a maior taxa entre as dívidas com saldo maior que zero: =MÁXIMOSES(Taxas;Saldos;">0") (Excel 2019 ou 365).
Essa parte é a mais trabalhosa de montar à mão, porque a ordem muda conforme as dívidas acabam.
Erros comuns
- Usar a taxa anual como mensal, ou o contrário. Confira sempre "a.m." ou "a.a.".
- Fazer novas dívidas durante o plano. Se possível, guarde o cartão até o fim.
- Parar de pagar o mínimo de alguma dívida para acelerar outra: multas e juros de atraso desfazem a vantagem.
- Não ter nenhuma reserva. Um imprevisto sem reserva vira dívida nova. Uma pequena reserva em paralelo ajuda.
- Ignorar a renegociação. Trocar uma dívida cara por uma mais barata muda todo o plano; vale perguntar ao banco.
Planilha pronta: planejador de pagamento de dívidas
O modelo pago faz o cronograma inteiro e a comparação automaticamente:
- “Parâmetros”: método (“Avalanche” ou “Bola de neve”), orçamento total para dívidas por mês, data do primeiro pagamento e verificação se o dinheiro cobre os pagamentos mínimos.
- “Dívidas”: até 15 dívidas com nome, tipo, saldo, taxa e pagamento mínimo; a planilha mostra a ordem de pagamento, o prazo e a data de quitação de cada uma, os juros e a economia.
- “Cronograma”: plano mensal para 120 meses com detalhamento por dívida e comparação com pagar apenas os mínimos.
- “Resumo”: prazo para sair das dívidas, custo total em juros, economia em juros e dois gráficos.
Funciona no Excel 2007 ou superior e no LibreOffice, sem macros. O cálculo é simplificado (juros uma vez por mês sobre o saldo, sem tarifas, seguros e multas): confira os valores exatos com o seu banco.
Perguntas frequentes
Qual método escolher?
Se você é disciplinado e quer pagar menos juros, avalanche. Se já tentou outras vezes e desanimou, a bola de neve dá vitórias rápidas. Na prática, como o exemplo mostra, a diferença costuma ser pequena.
E se eu receber um dinheiro extra, como o 13º?
Coloque na dívida prioritária. Um pagamento extra no início do plano corta meses do prazo, porque reduz o saldo sobre o qual os juros incidem.
Vale a pena fazer um empréstimo para quitar o cartão?
Pode valer, se a taxa do empréstimo for bem menor e você não voltar a usar o cartão no rotativo. Coloque as duas situações na planilha e compare os juros totais.
Parcelamento sem juros entra na lista?
Entra, com taxa zero. Ele ocupa parte do orçamento mensal, mas nunca será prioridade na avalanche.
KHIZHNYAKOV