Planilha para juntar dinheiro: quanto guardar por mês para cada meta
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"Este ano eu vou juntar para a viagem" costuma terminar em março, quando a fatura do cartão chega. O problema quase nunca é falta de força de vontade: é falta de um número claro. Guardar "o que sobrar" não funciona; guardar R$ 432 todo dia 5 funciona muito melhor.
Neste guia você vai calcular exatamente quanto guardar por mês para uma meta, considerando o que já tem e o rendimento da aplicação, e também o caminho inverso: com o valor que você consegue guardar, em quantos meses chega lá. No fim, a reserva de emergência, que deveria vir antes de qualquer outra meta.
Passo 1: defina a meta com três números
Toda meta precisa de:
- Valor: quanto custa (com alguma folga).
- Prazo: em quantos meses ou até que data.
- Ponto de partida: quanto você já guardou.
Exemplo: entrada de um carro, R$ 15.000 em 24 meses. Você já tem R$ 3.000 aplicados, rendendo cerca de 10% ao ano.
Passo 2: converta a taxa anual em mensal
Rendimento anual de 10% não é 10/12 por mês. A conversão correta é:
=(1+10%)^(1/12)-1 → cerca de 0,797% ao mês
Passo 3: quanto guardar por mês (PGTO)
A função PGTO calcula a parcela fixa. Com a taxa mensal em B4, o prazo em B3, o que você já tem em B2 e a meta em B1:
=PGTO(B4;B3;B2;-B1)
Resultado: cerca de R$ 431,74 por mês. Arredonde para cima: R$ 432.
Sem nenhum rendimento, seria (15.000 − 3.000) / 24 = R$ 500 por mês. A aplicação paga quase R$ 70 da sua parcela mensal.
Os sinais importam: no Excel, dinheiro que sai do seu bolso e dinheiro que volta têm sinais opostos. Se o resultado aparecer negativo, inverta o sinal da meta.
Passo 4: em quanto tempo eu chego lá (NPER)
E se você só consegue guardar R$ 400? A função NPER dá o número de meses:
=NPER(B4;-400;-B2;B1)
Resultado: cerca de 25,6 meses, ou seja, 26 meses. Com R$ 400 por 24 meses você chegaria a uns R$ 14.160, faltando pouco menos de R$ 850.
Para saber a data de conclusão: =DATAM(HOJE();ARREDONDAR.PARA.CIMA(B6;0)).
Passo 5: o cronograma mês a mês
Uma tabela simples deixa o progresso visível:
| Mês | Saldo inicial | Rendimento | Aporte | Saldo final |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 3.000,00 | 23,92 | 432,00 | 3.455,92 |
| 2 | 3.455,92 | 27,56 | 432,00 | 3.915,48 |
| 3 | 3.915,48 | 31,22 | 432,00 | 4.378,70 |
Rendimento = saldo inicial × taxa mensal; saldo final = saldo inicial + rendimento + aporte. Copie a linha para baixo até o mês 24.
A reserva de emergência vem primeiro
Antes de juntar para viagem ou carro, vale ter um colchão para imprevistos: perda de renda, conserto, saúde. A regra prática é de 3 a 6 meses de despesas essenciais (até 12 para quem tem renda variável).
Exemplo: despesas essenciais de R$ 4.500 × 6 meses = R$ 27.000. Com a mesma fórmula PGTO, você descobre quanto separar por mês para formar essa reserva em, digamos, 18 meses.
Erros comuns
- Dividir a taxa anual por 12. A diferença parece pequena, mas cresce em prazos longos.
- Esquecer o que já foi guardado. Ele também rende e reduz a parcela.
- Ter metas demais ao mesmo tempo. Some todas as parcelas e compare com a renda. Se passar de uns 20–30%, priorize.
- Ignorar imposto e inflação. O cálculo simples não os considera; deixe uma folga no valor da meta.
- Guardar no fim do mês. Programe a transferência para o dia do salário.
Planilha pronta: planejador de metas financeiras
O planejador gratuito faz essas contas para até 10 metas ao mesmo tempo:
- «Metas»: valor, prazo (em meses ou por data), já guardado, taxa da aplicação e seu aporte. Resultado: aporte mensal necessário, valor no prazo, tempo para juntar (coluna «Junta em, meses», com a data de conclusão) e progresso.
- «Cronograma»: tabela mês a mês de até 120 meses com os rendimentos da meta escolhida, com gráfico.
- «Reserva de emergência»: despesas mensais × número de meses, prazo para formar a reserva e aporte necessário.
- «Resumo»: todas as metas juntas, aporte mensal total e sua participação na renda, dois gráficos.
Funciona no Excel 2007 ou mais recente e no LibreOffice, sem macros. O cálculo é uma estimativa: não considera imposto sobre rendimentos, inflação nem mudança de taxa.
Perguntas frequentes
Vale a pena juntar na poupança ou numa aplicação?
A planilha funciona com qualquer taxa; basta informar o rendimento esperado. Para metas de curto prazo, o mais importante é poder resgatar quando precisar, sem perda.
E se eu atrasar alguns meses?
Atualize o "já guardado" com o saldo real e recalcule. A parcela sobe um pouco ou o prazo se estende; o importante é que o número continue honesto.
Posso juntar sem aplicar o dinheiro?
Pode. Use taxa zero: a parcela vira simplesmente (meta − já guardado) / meses.
Como dividir uma meta entre duas pessoas?
Calcule o aporte total e divida na proporção da renda de cada um. Assim ninguém fica apertado e a meta continua de pé.
KHIZHNYAKOV